Origami e Clarice Lispector
Na era da internet, podemos perceber que as cartas já não trafegam mais pelos Correios. Parece que agora eles são mais utilizados para as encomendas que compramos na rede e também para receber as nossas contas mensais.
Tendo isto em mente, existe um site chamado Cartas sin Sellos ou Cartas sem Selos que traz aquela nostalgia de vermos as mensagens escritas num papel, mas agora sem ele. Lá você poderá ler as mais de 7.000 cartas separadas em 6 tipos: Cartas impossíveis, cartas adolescentes, cartas convidadas, cartas selecionadas, cartas recuperadas e cartas literárias.
Mas porque estou falando disto? É porque a sua autora, Beatriz Alonso Aranzábal produz curtas e a sua última se intitula Papiroflexia (2009).
Veja o curta-metragem Papiroflexia (2009)
Assistindo-o fiquei curioso com duas coisas: quais eram os origamis dobrados e quais eram os textos narrados pela personagem. Os textos foram simples, pois dá para ver na capa que o livro é da Clarice Lispector. O primeiro texto é o início do conto “Perdoando Deus“:
Eu ia andando pela avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre.
O segundo texto é o início do conto “Ruído de Passos” do livro “Via Crucis do Corpo“:
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo. Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Em relação aos origamis, eu não reconheci qual era a borboleta. Mas a rosa é a de Kawasaki cujo diagrama pode-se obter lá no site do Joseph Wu. Sensacional.





























Lindo curta!
Os dois modelos de origamis são maravilhosos. A variação da kawasaki do Joseph Wu já conhecia (estou ainda criando coragem pra desenvolver, as linhas diagonais me assustam; já a variação que você colocou em outro post consegui fazer tranquilo); quanto à borboleta, não conhecia também, modelo muito delicado, e não parece tão difícil. Se você descobrir o autor, divulgará no site?
Vídeo encantador. Assim que o vi minha mente começou a fervilhar, sou professora e vou exibi-lo para as minhas 5as séries, mas interromperei o curta quando entrar a loira, para que eles reescrevam a história e a partir do conflito criem um final. Somente depois verão todo o filme.
Sortearei um origami entre as melhores redações e finalizaremos com leituras da Clarice Lispector.
Acho que será motivador.
Valeu mesmo.
Beijos.
Maravilhosa idéia, sou estudante de Pedagogia e me senti especial sabendo que existem professoras com essa sensibilidade. Parabéns, seus alunos são previlegiados…
O curta é maravilhoso.
Mais fantástica é a junção de Clarisse, dos origami e da letra da música que se ouve.
É como se soubéssemos os sentimentos dos personagens e ao mesmo tempo fôssemos eles.
Vera,
se eu não me engano, essa é uma das cartas que foi recebida no site da autora e que ela resolveu filmar… Aliás, no site dela tem várias cartas que são pérolas… vale a pena pescar…
abraço
Hola Norberto:
muchas gracias por dedicarme este espacio en tu blog y discúlpame por escribir en español (he incluido este enlace dentro de la web de Papiroflexia).
Y gracias por facilitar información a tus seguidores. Pero creo que hay un error, me parece entender que dices que el guión está inspirado en una carta y no es así: el guión se basa en un relato corto con el que gané un pequeño concurso de internet.
En el dvd hay subtitulos en portugues, ya que una amiga brasileña, Tania, me buscó los textos originales de la maravillosa Clarice Lispector. Veo que tú también conocías esos relatos.
Un abrazo
Beatriz
Hola Beatriz,
gracias por la visita.
Parecía que se inspiraba en una carta, pero si no, lo siento … y
gracias por la corrección.
Abrazos
Vera,
caso queira ver a letra da canção, achei no site do cantor…
http://www.sergiomakaroff.com/discos/numero-1/
abraço
Norberto.
Vi o video, Tambem não reconhecí a borboleta.
Agora, eu gostaría de saber o nome da livraría, pra ir comprar livros nela.
Bem, não sei se o vendedor se sentiría motivado para embrulhar meu livro do mesmo jeito, acho que nãop.
Um abraço
Gregoriol
Gregorio,
caso queira, visite a livraria
http://www.tresrosasamarillas.com/
fica em Madrid…
abraço
Norberto, meu querido!
Que lindo!!!
Muito romântico!!!
Estou a dobrar uma rosa que vai para um post no Dobrinhas justamente com um texto de Clarice em Água Viva.
Engraçado que quando eu só sabia dobrar bichinhos eu os usava para decorar embalagens de presentes. Hoje, os presentes são todos dobradinhos.
Obrigada!
Beijinhos…
eva
Eva,
“Água Viva” é um livro forte demais… sei lá… parece que a cada página virada, vai-se um pedaço da gente junto… “Um sopro de vida” então, nem se fala…
abraço
a borboleta parece muito com a do Rikki Donachie, mas no final ele muda as asas de baixo
Norberto,
E eu que ia botar o link da livraría, agora, você foi mais rápido. kkkkkk
Um abraço
Gostei demais do texto e estou aprendendo origami como uma terapia anti estresse, só discordo de uma coisa… ainda sou uma amante das cartas verdadeiras, de ouvir o carteiro avisando… mesmo com a internet, não deixo de escrever minha carta social, mandando algo de mim para os amigos que estão longe.. recebo postais, cartas e isso, nenhum e-mail é capaz de proporcionar… não pego nenhum vírus por lá… rss