9 nov
2011

Filhote de Cão: Tingindo Papel no Origami


Uma coisa muito interessante que aprendi lá no Congresso LatinoAmericano de Origami foi o tingimento de papel. O Eric Madrigal nos apresentou toda a teoria e prática em sua oficina, já que ele é especialista em tingir papéis para os origamis que dobra. Para vocês terem uma ideia de como ele faz isso, visitem a página dele no flickr.

Uma coisa bastante importante é a diferença entre pintar e tingir o papel. Normalmente confundimos um e outro, afinal de contas, em ambos damos colorações ao papel que antes não existiam.

Pintando Papel

Quando pintamos, o que fazemos é adicionar uma camada de tinta ao papel no que resulta no aumento da gramatura do mesmo. Neste processo, o miolo do papel fica intacto, e se o papel rachar durante o processo das dobras, a sua cor inicial ficará aparente. Este é um efeito indesejado na maioria das vezes, pois dá uma aparência mal-acabada ao origami.

Tingindo o Papel

Por outro lado, quando tingimos, fazemos com que os pigmentos das tintas penetrem no miolo do papel. Neste processo, o papel, mesmo ao rachar, não apresentará aquela aparência rasgada tão aparente. As tintas que são normalmente usadas aqui são as que são solúveis em água. Isto porque o papel em sua composição utiliza adesivo que é solúvel. Assim, ao tingirmos, o próprio papel passará a absorver as cores em seu interior.

Tingimento em Ação

A forma mais eficiente que consegui tingir foi diluindo bastante a tinta acrílica fosca em água. A proporção foi de 1:5, ou seja, para uma porção de tinta, usei 5 de água. Vejam como ficou…

Filhote de Cão em Origami de Edwin Corrie

No filhote da esquerda, dilui menos a tinta e fiz apenas uns borrões com o pincel. No da direita, pintei por quase toda a superfície do papel com a tinta mais diluída. Em ambos, gostei bastante do resultado. O papel que usei foi um sulfite salmão na gramatura 80g/m². Neste caso em que o papel tem baixa gramatura, o ideal é dobrar o modelo só depois que o papel estiver bem seco, caso contrário ele pode rasgar. Ou se você quiser utilizar um papel com maior gramatura – acima de 150g/m² – você pode se beneficiar da umidade da tinta e usar a técnica da dobra úmida – wet folding.

Para aqueles que gostaram do modelo e quiserem se aventurar a dobrá-lo, vou avisando que esse modelo é viciante… Já dobrei mais de 15 deles… e ainda contando…


Origami Puppy Dog – Autor: Edwin Corrie

Divirtam-se criando a sua matilha de filhotes malhados. :D

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5 Comentários

  • Que tal pigmentação com corantes naturais? ksks

  • Luiz,
    achei bacana a sua ideia de extrair corantes vegetais. Você tem alguma referência online para eu referenciar?
    Pretendo fazer um post aqui e aí coloco o link para as pessoas buscarem como fazer…

    abraço

  • Bom Norberto, infelizmente ha muito pouca coisa sobre a extração de corantes vegetais e também minerais… na verdade, se você colocar no Oráculo “extração de corantes naturais”, mais de 70% estará falando de Urucum… que realmente dá um belo de um corante, mas estes não se resumem somente a isso não é?
    Bem, posso portanto estar disponibilizando uma tabela onde são indicadas as cores a serem extraídas, quais vegetais, os elementos tintóricos destes vegetais, os métodos (que você pode ter como base o documento lá do Facebook) e os fixadores adequados…
    Estarei enviando esta por email… :D

    • Luiz,
      beleza… só que me mande para o e-mail do gmail… hotmail para mim não serve para nada… tá largado às traças.
      De qualquer forma, pensei que o seu estudo sobre corantes estivesse online, já que assim mais pessoas ficariam sabendo como fazer…

      abraço

  • Quem sabe crio um espaço só para isso, bem simples, mas só para mostrar… enfim, reenviei…

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