Texto original de Robert J. Lang. Tradução feita por Norberto Kawakami com a autorização do autor.

Numeração

Em geral, os desenhos devem ser numerados consecutivamente através de algarismos arábicos (ex. 1, 2, 3 e assim por diante) já que eles são entendidos por todos idiomas (mesmo naqueles em que o alfabeto é diferente, como o russo e japonês). A razão para desenhos com letra (ex. 5a, 5b, 5c e assim por diante) é quando uma sequência de desenhos é usada para quebrar um passo em um ou mais subpassos. Numerando deste modo, o diagramador possibilita que o leitor experiente prossiga com a sequência principal, enquanto que o novato segue pelo “caminho fãcil” dos subpassos. Os subpassos não devem ser usados na sequência principal – é para isso que os números principais foram feitos.

Termos verbais

N.T. Saltei a parte sobre as instruções verbais porque meu objetivo principal é que as pessoas passem a fazer diagramas com mais frequência para que desse modo, as suas criações possam ser vistas e dobradas pela comunidade mundial do origami. Assim, considero que tudo o que depende do idioma é prescindível. Com exceção, talvez, ao que se segue.

Nome das Bases

Há também diversos nomes padronizados para as bases os quais deveriamos usar. N.T. Esta seção também não teria sentido traduzir, já que depende do idioma. Mas como muita gente ainda não sabe o nome das bases em português, vale a pena tentar popularizá-los. Eu procurei me basear na nomenclatura que a Mari Kanegae e o Paulo Imamura usaram no livro Origami – Arte e Técnica da Dobradura de Papel (OATDP), pois a 1ª edição deste é de 1988 e muita gente já deve ter tido o contato com o origami através dele.

Dobra Preliminar (Preliminary Fold)

Infelizmente, enquanto a maioria das bases familiares são de fato chamadas de “base”, o que deveriamos chamar de “Base Preliminar” (e também conhecida como “Base Quadrada” que faz mais sentido ainda, já que todas as bases são preliminares) foi amplamente popularizada por Robert Harbin e Samuel Randlet como “Dobra Preliminar”. A justificativa é obscura (a ideia original é que já que você pode conseguir 2 bases a partir dela – Base do Pássaro e Base do Sapo – não tinha a estatura garantida ao direito pleno de ser nomeado como “Base”. E como a Base do Sapo (N.T. Ou Base da Íris) pode ser feita a partir da Base Bomba d’Água (que foi da forma como aprendi pela 1ª vez) (N.T. ou Base do Balão), o mesmo argumento deveria se aplicar a ela, mas não é). Ainda que a convenção de nomes não faça sentido, é bem generalizada, e pelo interesse da universalidade, deve ser usada. (Se bem que se alguém iniciar uma petição para renomear a Dobra Preliminar, eu serei um dos primeiros a assiná-la.) (N.T. No livro OATDB, esta dobra é chamada de Base da Flor, mas eu nunca ouvi assim. Base Quadrada é mais comum.)

Base Bomba d’Água (Waterbomb Base)

Embora, ocasionalmente chamada de “Base Triangular”, o nome “Base Bomba d’Água” é quase universal. (N.T. Talvez em inglês possa ser, mas em português faz pouco sentido. Em OATDB, esta é chamada de Base do Balão e faz muito sentido, já que a Bomba d’Água é um balão cheio de água.)

Bases Clássicas

A terminologia “bases clássicas” é relativamente nova, já que necessita de definição de várias bases novas que o termo “clássico” (o qual me faz imaginar se existe uma “Base do Pássaro Leve” por aí – com um terço a menos de dobras que leva uma Base do Pássaro normal) parece ser inútil. Contudo, as 4 bases que são amplamente conhecidas por seus nomes são Base Casca de Sorvete (Kite Base), Base do Peixe (Fish Base), Base do Pássaro (Bird Base) e Base do Sapo ou da Íris (Frog Base).

Durante a década de 1960, uma série de barbaridades foram cometidas em várias bases clássicas (mais comumente com a Base do Pássaro), tais como esticar, blintzar, compensar e outras modificações, levando a monstruosidades como “Base Meio-Sapo Meio Pássaro Compensada, Esticada e Blintzada”. Obviamente, uma vez que você modifica a base tanto assim, a ideia de que você tenha dobrado o modelo a partir de uma “Base” torna-se um tanto quanto suspeita. Tal nome não é uma base. É uma descrição de sequência de dobras. Alguém frequentemente pergunta: “De qual base se começa isto?” tão frequentemente quanto nenhuma base clássica tenha sido empregada. Creio que o John Montroll tenha a melhor resposta a esse tipo de pergunta. Quando alguém lhe pergunta a partir de qual base o seu rinoceronte foi dobrado, ele responde da “Base do Rinoceronte”. O esquilo foi a partir da “Base do Esquilo”. A raposa, a partir da “Base da Raposa”. A moral é que ao invés de tentar sair promovendo modelos definindo bases para tudo, o diagramador deveria se ater a um pequeno número de bases bem conhecidas como um atalho conveniente para descrever umas poucas dobras comuns e dispensar a criação de bases novas.

(Umas poucas variações ficaram sensatamente espalhadas: Base do Pássaro Esticada (Stretched Bird Base) e Base – qualquer coisa – Blintzada (Blintzed – anything – Base). Contudo, não mais que isso. Estaria inclinado a aceitar a Base do Cão (Dog Base) de John Montroll, também, já que este permeia muito de seu trabalho.)

 Dobras Asa, Rohm Truque Sujo e outros

Alguém frequentemente tem a tentação de criar um novo nome para um novo procedimento comum. Alguns dos nomes com que eu já cruzei são Dobra Casca de Sorvete, Dobra da Pipa, Dobra do Livro, Dobra do Avião, Dobra da Porta, Rohm Truque Sujo, Pequeno Milagre, Dobra da Asa (este já ouvi por 3 diferentes dobradores e tinham 3 significados diferentes), e a minha própria contribuição, Dobra de Afundamento Desfechado – O Afundamento Desfechado parece ter apanhado alguns dos criadores de origami mais masoquistas -. Enquanto muitos desses tenham significado dentro de pequenos grupos, não são de nenhum modo universais e raramente são suficientes em si mesmos para descrever a ação necessária (a Dobra do Livro significa que eu tenho que dobrar como se estivesse fechando um livro ou como se eu estivesse virando uma página dele?). E alguns deles como Rohm Truque Sujo depende de uma piada interna. O uso da última deveria ser sempre evitado, já que carrega dentro de si um elitismo perturbador (se você já fez parte de algum grupo verdadeiro de origami, você sabe o que eu quero dizer). Se você precisa usar um termo incomum – e às vezes essa necessidade surge – deveria defini-lo no início ou no momento em que fosse usá-lo pela 1ª vez (e no começo do livro, se for lá onde ele aparece).

N.T. Propositalmente, não coloquei nenhum nome original das dobras que ele cita neste item. O motivo disso é que o nome dessas dobras são apócrifas, ou seja, não tem valor algum saber o seu nome original já que não devem ser usadas e não são amplamente conhecidas pela comunidade internacional de origamistas.

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Introdução e Orientações Básicas

Bordas, Vincos, Dobras Vale e Montanha

Setas e Indicações

Repetições e Dobra Invertida Por Dentro

Dobra Invertida Por Fora, Friso e Afundamento

Orelha de Coelho e Indicações Adicionais

• Numeração e Bases

Palavras Finais